Qual o melhor curso para mim?

A passos largos para o fim do ano letivo, começa também a contagem decrescente para muitos alunos do 9.º ano de escolaridade decidirem a sua primeira escolha vocacional. Já há muito que se fala na precocidade desta escolha ou na imaturidade para a fazer, numa sociedade cada vez mais complexa em que as ofertas formativas são muitas e em que deixaram de haver cursos de garantia de sucesso…

São frequentes as perguntas dos alunos relativas a “qual é o melhor curso?” na procura de uma solução mágica e tranquilizadora das suas angústias.

Ora o melhor curso talvez seja aquele que contenha mais disciplinas com as quais nos identificamos; aquele que mais prazer achamos que nos poderá trazer; aquele que mais tenha a ver com as nossas características pessoais; com a nossa forma de estudo, independente de ser o curso mais ou menos socialmente valorizado.

Numa sociedade em que tanto se “olha para fora” importará “olhar mais para dentro” e fazer das escolhas vocacionais também um processo de auto conhecimento! Com frequência, os jovens são “ofuscados” por representações sociais de profissões que dificultam o necessário processo de conhecimento de si próprios; do crescente de ofertas formativas existentes e da complexidade do de profissões. Apesar de terem a informação “na ponta dos dedos”, nem sempre ela é devidamente analisada ou sequer pesquisada…

Numa altura em que, felizmente, tanto se fala de emoções nas escolas, o percurso vocacional e, com ele, o sucesso (ou gosto) profissional é mais uma das dimensões do ser humano que é fortemente influenciada pela maturidade emocional, seja do jovem que escolhe o seu curso pela primeira vez no final do 9o ano de escolaridade, seja do adulto profissional.

Voltando aos jovens, e de forma esclarecedora, importa referir que são 5 os percursos formativos que estão ao dispor dos jovens após o 9.º ano:

1 – Cursos científico-humanísticos, que se referem aos cursos com forte vertente teórica e voltados para o prosseguimento de estudos de nível superior.

São ainda conhecidos pelos cursos “para ir para a universidade”, apesar de serem já vulgarmente conhecidas várias formas diferenciadas de acesso ao ensino superior.

Dividem-se em 4 áreas (ciências e tecnologias; ciências socioeconómicas; línguas e humanidades e artes visuais) sendo que dentro de cada uma delas há ainda algumas disciplinas de opção;

2 – Cursos profissionais, que existem na grande maioria das escolas de ensino regular e também em escolas especificamente de ensino profissional. Contemplam uma componente técnica, que é a sua grande mais-valia, preparando os jovens para um possível ingresso no mercado do trabalho se assim o entenderem no final do 12o ano de escolaridade. São menos teóricos do que os anteriores e, por isso mesmo, têm condições específicas de acesso ao ensino superior para os alunos que pretendam prosseguir estudos numa universidade. Nos cursos profissionais estão contempladas uma grande variedade de áreas, onde se incluem também as artes visuais, a música, o teatro e a dança;

3 – Cursos artísticos especializados que, no Grande Porto contemplam essencialmente as Artes Visuais e a Música;

4 – Cursos científico-tecnológicos que são menos conhecidos uma vez que são cursos específicos de algumas (poucas) instituições de ensino com planos de estudos próprios. São uma junção dos cursos científico-humanísticos com os cursos profissionais, preparando o/a aluno/a não só para o ingresso no ensino superior como dotando-o de competências para o ingresso no mercado do trabalho;

5 – Cursos de aprendizagem, tutelados pelo IEFP. Estes visam uma estreita ligação com o mercado do trabalho, sendo os que contemplam uma maior componente prática em detrimento da componente teórica. O objetivo dos/as alunos/as que optam por esta via é sobretudo obter uma qualificação que lhes permita ingressar no mercado do trabalho após a conclusão do curso.

Bom processo de escolhas vocacionais!

 

Paula Marques

Psicóloga Clínica e Escolar