A importância da Consciência Fonológica para a Leitura e Escrita

 

Para o processo de aquisição da leitura e da escrita é necessário o desenvolvimento de várias áreas, desde a memória, atenção e desenvolvimento motor até à linguagem. Na linguagem, para além do desenvolvimento da semântica, morfossintaxe e pragmática, há um domínio que assume particular importância: a  consciência fonológica.

A consciência fonológica refere-se a uma competência superior de linguagem, que permite a identificação e manipulação dos sons (fonemas) que fazem parte da língua. É uma capacidade complexa, que permite que a criança compreenda que o discurso é constituído por frases, que por sua vez têm várias palavras, que se dividem em unidades mínimas, chamadas de fonemas. Os fonemas são sons, que se distinguem dos grafemas, que são letras. Há fonemas que têm correspondência direta com os grafemas (som /f/ escreve-se <f>), mas existem fonemas que têm mais do que um grafema (som <x>, que se pode escrever com <ch, x, s, z>) e até grafemas com mais do que um fonema, como é o caso da letra <g>, que se pode ler /g/ ou <j>.

A língua portuguesa é, de facto, complexa!

Pretendemos, então, sugerir algumas atividades que irão ajudar a criança a entrar no mundo da literacia.

Aos 4 anos, podemos estimular a noção de frase e de palavra e a discriminação auditiva das seguintes formas:

  • Podemos distinguir sons do meio ambiente, como transportes, animais, ações com o corpo e ações com objeto do quotidiano;
  • Identificar de onde vem o som, tocando uma campainha (ou outro instrumento) a partir de diferentes pontos de uma sala, estando a criança de olhos vendados);
  • Identificar os instrumentos tocados, um a um ou sequências de 2 e 3 instrumentos com sons distintos (ex.: guizo, clavas, pandeireta);
  • Cantar músicas e completar cantilenas;
  • Utilizar canções e/ou histórias com pictogramas, para leitura e para completar lacunas;
  • Ouvir histórias com cadências repetitivas e rimas.

Estas atividades podem manter-se nos 5 anos! Mas para além destas, aos 5 anos, no último ano de jardim infantil e antes de dar o grande salto para o primeiro ciclo, podemos:

  • Bater palmas contando o numero de sílabas que cada palavra tem;
  • Encontrar a palavra maior e a menor, num grupo de 2 ou 3 palavras;
  • Encontrar a primeira sílaba, a última sílaba e a sílaba que está no meio;
  • Dizer duas sílabas e descobrir que palavra formam;
  • Retirar uma sílaba de uma palavra e descobrir que palavra fica (limão, sem o “li” fica ….”Mão”);
  • Retirar uma sílaba e adicionar outra para descobrir uma nova palavra (“na palavra “limão”, vamos tirar o “li” e colocar o “me”, que palavra fica? “Melão”);
  • Associar palavras que rimam (“coração” rima com “vermelho, pão ou formiga”?);
  • Pensar em palavras que rimam (evocação: diz-me uma palavra que rima com “papel”);
  • Pensar em palavras que começam com determinada sílaba (diz-me uma palavra começada por “pa” – “pato”);

Depois de dominado o processo de manipulação silábica, podemos passar para a manipulação fonémica, que, geralmente, surge já muito próximo da entrada no primeiro ciclo. Em algumas crianças, pode mesmo desenvolver-se já no primeiro ano de escolaridade.

Nestes casos, sugerimos as seguintes atividades:

  • Discriminar palavras iguais e diferentes (“bota-bota”, “bota-bola”);
  • Encontrar determinado fonema numa palavra, no início da palavra e, depois, no meio (na palavra “vaso”, onde está o som /v/”?);
  • Adicionar ou retirar determinado fonema e descobrir que palavra fica (na palavra “quintal”, se tirarmos o “l” o que fica? “Quinta!”);
  • Associar palavras iniciadas pelo mesmo fonema (Que palavra começa igual a “sapato”? “Chave, Sol, Furo?”);
  • Dizer uma palavra iniciada com determinado som (diz-me uma palavra começada por “f” – “foca”).

E muito mais haveria para dizer! Haja imaginação!

Tudo isto são atividades que promovem as competências que surgem antes da aquisição da leitura! Sem elas, o ensino formal das letras não terá grande propósito ou sucesso.

Se é Pai, Mãe, Educador ou até Professor e precisa de aconselhamento ou de discussão sobre estimulação de linguagem e, particularmente, de consciência fonológica, contacte um Terapeuta da Fala.

Teremos todo o gosto em partilhar e aprender convosco!

 

Vanessa Leitão Silva

Terapeuta da Fala

Coordenadora do Departamento de Terapia da Fala da Clínica de Desenvolvimento e Saúde CRIAR